sábado, 4 de fevereiro de 2017

Memórias inscritas na cibernética



Experiência em Cibercultura


Esta experiência consiste em um trabalho para a disciplina de Cibercultura, ministrada pela professora Aline de Caldas, no curso de Publicidade e Propaganda, da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB). A partir da leitura do capítulo “Os três tempos do Espírito” do livro Tecnologias da Inteligência, de Pierre Levy, a professora pediu, em sala, que a minha turma e eu desenhássemos, individualmente, uma memória de algum fato marcante com os próprios colegas e que relatássemos para todos, utilizando somente a fala. Após isso, escrevemos uma carta contando o mesmo momento para, em seguida, digitalizarmos esses dois elementos, postá-los em uma interface na internet, relatando o processo e suas considerações. 

Primeiramente, é necessária uma contextualização.

Levy (1998 p.46) afirma que “nenhum tipo de conhecimento, mesmo que pareça-nos tão natural, por exemplo, quanto à teoria, é independente do uso de tecnologias intelectuais”. Ou seja, todo estilo de saber é construído por meio de procedimentos que utilizam elementos que irão transmitir ideias e informações através de associações. O autor nos descreve a relação do ser humano com o conhecimento ao longo da história, pontuando essas tecnologias em três tempos: a oralidade, a escrita e a informática.



A Oralidade


Para Levy (1998, p.47), a oralidade está diretamente relacionada à memória social, pois através do uso da palavra, o conhecimento era perpetuado de geração em geração. A palavra tinha grande valia para as sociedades que não possuíam uma linguagem escrita e estruturada. Suas memórias eram representadas através de elementos visuais, como o desenho, cores e figuras. Com isso, o desenho situado logo abaixo funcionou para minha experiência intelectual como uma representação visual de uma lembrança na qual eu consigo relatá-la pelo uso da palavra.


Desenho - representação visual da minha memória.




A Escrita


Com a chegada da escrita, o ser humano pôde armazenar e transmitir informações com mais veracidade e riqueza de detalhes, já que através da mente os conhecimentos podiam ser esquecidos, alterados ou até inventados devido ao ponto de vista cultural do indivíduo emissor. Nesta carta situada logo abaixo, o uso que fiz da escrita para descrever a minha vivência, possibilitará que o leitor produza um elemento visual em sua mente pelo qual poderá utilizar tanto a palavra quanto à escrita para transmitir os conhecimentos obtidos. Vale ressaltar que a oralidade não é desprezada com a chegada da escrita, pelo contrário, ambas são aplicadas porque “tiveram, e têm ainda, um papel fundamental no estabelecimento dos referenciais intelectuais e espaço-temporais das sociedades humanas” (LEVY, P. 1998, p.46).

 

Carta - relato da mesma lembrança.



A Informática




E na atualidade temos a informática, que abriu muitas possibilidades de comunicação e intercâmbio entre as pessoas de forma ampla e sem precedentes. Um fator primordial que contribuiu para a expansão da comunicação foi a digitalização. Através dela, as demais técnicas foram inseridas nesse sistema eletrônico no qual não há uma configuração estática, mas sim, suscetível às transformações diversas possíveis, já que “são redes de interfaces abertas a novas conexões, imprevisíveis, que podem transformar radicalmente seu significado e uso” (LEVY, P. 1998, p. 62).
Assim, o processo de digitalização do desenho e da carta me possibilitou compartilhar com você, leitor, a minha experiência através dessa interface, que segundo a concepção de Levy (1998, p. 111), é o nível de relação entre dois ambientes de realidades distintas pelo qual foram transmitidos códigos, informações e outras interfaces. Isso passa a sensação de tempo real para quem inicia o processo de leitura desse relato, eternizando esse trabalho.





Minhas considerações



Através dessa experiência iniciada na sala de aula, eu pude compreender que, com as transformações tecnológicas da intelectualidade, o homem se relacionou com o conhecimento de modos diferentes. Experimentei uma nova sensação quando relatei a minha memória utilizando somente a oralidade, pois percebi que consegui recordar e descrever tudo por meio das associações particulares que a minha mente criou para transmuta-las em palavras. Tenho certeza que esse processo não acaba aqui. Pelo contrário, ele se ampliará e se transformará nesse exato momento no qual você está concluindo a leitura dessa interface. Agora não há mais jeito, já foi criada em sua mente uma representação privada, desenvolvida a partir dos seus conhecimentos, de suas vivências, gerando uma nova interface entre esta e você.




Referência: LEVY, Pierre. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. Tradução: Carlos Irineu da Costa. 1998. Disponível em <http://wp.ufpel.edu.br/franciscovargas/files/2015/03/LEVY-Pierre-1998-Tecnologias-da-Intelig%C3%AAncia.pdf>