Experiência em Cibercultura
Esta experiência consiste em um trabalho para a disciplina
de Cibercultura, ministrada pela professora Aline de Caldas, no curso de
Publicidade e Propaganda, da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB). A
partir da leitura do capítulo “Os três tempos do Espírito” do livro Tecnologias da
Inteligência, de Pierre Levy, a professora pediu, em sala, que a minha turma e eu desenhássemos, individualmente, uma memória de algum fato marcante com os próprios colegas e que relatássemos para todos, utilizando somente a fala. Após isso, escrevemos uma carta contando o mesmo momento para, em seguida, digitalizarmos esses dois elementos, postá-los em uma interface na internet, relatando o processo e suas considerações.
Primeiramente, é necessária uma contextualização.
Levy (1998 p.46) afirma que “nenhum tipo de conhecimento,
mesmo que pareça-nos tão natural, por exemplo, quanto à teoria, é independente
do uso de tecnologias intelectuais”. Ou seja, todo estilo de saber é construído
por meio de procedimentos que utilizam elementos que irão transmitir ideias e informações
através de associações. O autor nos descreve a relação do ser humano com o
conhecimento ao longo da história, pontuando essas tecnologias em três tempos:
a oralidade, a escrita e a informática.
A Oralidade
Para Levy (1998, p.47), a oralidade está diretamente relacionada à memória social, pois através do uso da palavra, o conhecimento era perpetuado de geração em geração. A palavra tinha grande valia para as sociedades que não possuíam uma linguagem escrita e estruturada. Suas memórias eram representadas através de elementos visuais, como o desenho, cores e figuras. Com isso, o desenho situado logo abaixo funcionou para minha experiência intelectual como uma representação visual de uma lembrança na qual eu consigo relatá-la pelo uso da palavra.
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| Desenho - representação visual da minha memória. |
A Escrita
Com a chegada da escrita, o ser humano pôde armazenar e transmitir informações com mais veracidade e riqueza de detalhes, já que através da mente os conhecimentos podiam ser esquecidos, alterados ou até inventados devido ao ponto de vista cultural do indivíduo emissor. Nesta carta situada logo abaixo, o uso que fiz da escrita para descrever a minha vivência, possibilitará que o leitor produza um elemento visual em sua mente pelo qual poderá utilizar tanto a palavra quanto à escrita para transmitir os conhecimentos obtidos. Vale ressaltar que a oralidade não é desprezada com a chegada da escrita, pelo contrário, ambas são aplicadas porque “tiveram, e têm ainda, um papel fundamental no estabelecimento dos referenciais intelectuais e espaço-temporais das sociedades humanas” (LEVY, P. 1998, p.46).
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| Carta - relato da mesma lembrança. |
A Informática
E na atualidade temos a informática, que abriu muitas possibilidades
de comunicação e intercâmbio entre as pessoas de forma ampla e sem precedentes.
Um fator primordial que contribuiu para a expansão da comunicação foi a digitalização.
Através dela, as demais técnicas foram inseridas nesse sistema eletrônico no qual
não há uma configuração estática, mas sim, suscetível às transformações diversas
possíveis, já que “são redes de interfaces abertas a novas conexões,
imprevisíveis, que podem transformar radicalmente seu significado e uso” (LEVY,
P. 1998, p. 62).
Assim, o processo de digitalização do desenho e da carta me
possibilitou compartilhar com você, leitor, a minha experiência através dessa
interface, que segundo a concepção de Levy (1998, p. 111), é o nível de relação
entre dois ambientes de realidades distintas pelo qual foram transmitidos
códigos, informações e outras interfaces. Isso passa a sensação de tempo real
para quem inicia o processo de leitura desse relato, eternizando esse trabalho.
Minhas considerações
Através dessa experiência iniciada na sala de aula, eu pude
compreender que, com as transformações tecnológicas da intelectualidade, o homem se
relacionou com o conhecimento de modos diferentes. Experimentei uma nova
sensação quando relatei a minha memória utilizando somente a oralidade, pois
percebi que consegui recordar e descrever tudo por meio das associações particulares
que a minha mente criou para transmuta-las em palavras. Tenho certeza que esse
processo não acaba aqui. Pelo contrário, ele se ampliará e se transformará nesse
exato momento no qual você está concluindo a leitura dessa interface. Agora não
há mais jeito, já foi criada em sua mente uma representação privada, desenvolvida
a partir dos seus conhecimentos, de suas vivências, gerando uma nova interface
entre esta e você.
Referência: LEVY, Pierre. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da
informática. Tradução: Carlos Irineu da Costa. 1998. Disponível em <http://wp.ufpel.edu.br/franciscovargas/files/2015/03/LEVY-Pierre-1998-Tecnologias-da-Intelig%C3%AAncia.pdf>

